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ONU pede cessar-fogo imediato no Sudão e alerta para nova onda de atrocidades em Kordofan

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu o fim imediato dos combates no Sudão e alertou para o risco de repetição de atrocidades em Kordofan. O apelo inclui a interrupção do fluxo de armas para as partes em conflito e o restabelecimento urgente das telecomunicações, consideradas condição básica para a chegada de ajuda humanitária e para que a população tenha acesso a informação verificada.

A guerra entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido, iniciada em abril de 2023, deslocou milhões e causou dezenas de milhares de mortes diretas e indiretas. Após a queda de El Fasher, no Darfur do Norte, o eixo da violência se expandiu para Kordofan, região estratégica e rica em recursos, onde a deterioração da segurança se acelerou nas últimas semanas segundo organismos internacionais e veículos independentes.

Situação em Kordofan e números confirmados

Desde 25 de outubro, quando a RSF capturou a cidade de Bara, em Kordofan do Norte, o escritório de Direitos Humanos da ONU registrou ao menos 269 civis mortos por ataques aéreos, artilharia e execuções sumárias. Há relatos de detenções arbitrárias, sequestros, violência sexual e recrutamento forçado, inclusive de crianças, em meio a apagões de internet e telefonia que dificultam a contagem e a checagem de vítimas em tempo real.

Dois episódios ilustram a escalada recente de violência contra civis. Em 3 de novembro, um ataque de drone em El Obeid atingiu uma tenda de luto e matou dezenas de pessoas. Em 29 de novembro, bombardeios aéreos em Kauda resultaram em novas mortes em massa. A crise alimentar se agrava em Kadugli e Dilling, onde equipes humanitárias relatam bloqueios de acesso, hospitais fora de operação e deslocamentos internos superiores a dezenas de milhares de pessoas em poucas semanas.

Para a ONU, a combinação de ofensivas simultâneas, colapso de serviços essenciais e interrupções de comunicação eleva a letalidade indireta. As agências humanitárias insistem na criação de corredores seguros para saída de civis, na proteção efetiva a quem tenta deixar áreas sitiadas e na garantia de acesso irrestrito a alimentos, água e atendimento médico emergencial, com monitoramento independente de cessar-fogo quando houver.

Risco regional e próximos passos

Kordofan concentra rotas logísticas e trechos de infraestrutura que conectam o centro do Sudão a áreas de fronteira, o que explica a disputa intensa por cidades e estradas. Analistas observam que a estação seca favorece manobras militares e pode ampliar o raio de ação das partes, elevando o risco de expansão territorial do conflito. A leitura predominante entre observadores regionais é que, sem contenção de armamentos e sem mediação firme, a violência tende a escalar.

Relatos recentes indicam um padrão de abusos graves, com relatos de extorsão de civis, detenções em massa e ataques contra instalações de saúde após mudanças de controle territorial. O quadro reforça a necessidade de mecanismos de responsabilização, inclusive por meio de investigações independentes e eventuais sanções a atores envolvidos em violações de direitos humanos e de direito humanitário.

No plano diplomático, cresce a pressão por um cessar-fogo verificável e por compromissos mínimos de proteção de civis, com atenção aos movimentos de potências regionais e a iniciativas de mediação multilaterais. A abertura de corredores humanitários e a retomada de comunicações aparecem como pré-requisitos para qualquer estabilização inicial, ao lado de garantias para equipes médicas e de socorro em áreas de risco.

Para os próximos dias, a atenção recai sobre o controle de cidades-chave, a logística de acesso para alimentos e remédios, e a capacidade de monitoramento independente de violações. Organismos de direitos humanos insistem que os fatos mais recentes em Kordofan não podem se converter em uma repetição das violações documentadas em El Fasher, e que a comunidade internacional deve agir para evitar uma nova espiral de crimes contra civis.

O Diálogo seguirá acompanhando as comunicações oficiais do Alto Comissariado, as atualizações de agências humanitárias e as investigações jornalísticas independentes. Em caso de novas confirmações de vítimas, danos à infraestrutura civil e mudanças no controle territorial, esta matéria será atualizada com dados consolidados e atribuição de responsabilidade conforme as evidências disponíveis.

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